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Enero 2004


 

 



Productos
Dentsply


QuiXfil

Surefil

Spectrum 800

Influência da cura de compósitos posteriores na dureza e micro-abrasão

A. Ramalho. Universidade de Coimbra - FCTUC-Dep. Eng. Mecânica
P. Vale Antunes. Escola Superior de Tecnologia, Instituto Politécnico de Castelo Branco


Introdução e objectivos

No presente trabalho é estudada a principal forma de ruína por desgaste que ocorre nos materiais para restauro dentário. Apresentam-se e discutem-se alguns resultados preliminares da aplicação da técnica de micro-abrasão por ball cratering à caracterização de dois compósitos comerciais.

Neste trabalho são estudados o; efeito da intensidade luminosa na cura dos compósitos, no que respeita, não só, a dureza mas também a resistência ao desgaste abrasivo.

Materiais e técnicas experimentais

Foram estudados dois materiais compósitos condensáveis fabricados pela Dentsply, usados na restauração directa de dentes posteriores, o Surefil e o QuiXfil.

Os provetes de material compósito foram obtidos por enchimento directo da cavidade correspondente ao molde e compactados com ferramenta de aço inoxidável de geometria adequada, a cura foi realizada utilizando dois fotopolimerizadores, um Kerr Optilux 501 e um Dentsply Spectrum 800. Este último permitia a regulação de intensidade luminosa. Assim, usaram-se três níveis de intensidade, 300, 500 e 1100 mw/cm2. Os tempos de cura considerados para os dois materiais e para os níveis de intensidade foram de 20, 40 e 60 segundos. A cura foi realizada apenas numa das faces dos provetes.

A microdureza foi medida num equipamento Struers Duramin utilizando um penetrador Vickers e aplicando uma carga de 200 gf durante 40 s.

A resistência à abrasão de ambos os materiais dentários foi determinada por ensaios de microabrasão ball-cratering.

O trabalho apresentado divide-se em dois estudos. O primeiro, efectua-se uma comparação a nível de dureza e resistência à micro-abrasão dos compósitos referidos. Os segundos, referem-se ao estudo do efeito da intensidade luminosa, na dureza e micro-abrasão, do compósito QuiXfil.

Resultados

A microdureza de cada um dos materiais testados foi determinada a partir de 10 indentações realizadas conforme as condições já especificadas.

No que respeita à resistência à abrasão de ambos os materiais dentários foi determinada por ensaios de microabrasão por ball-cratering. Nesta técnica uma esfera, solidária com um veio, roda com grande precisão de rotação; a esfera é mantida em contacto sob pressão contra o provete a testar, que permanece estacionário. Durante o ensaio uma solução abrasiva goteja continuamente por gravidade mantendo a zona de contacto abundantemente envolvida. A carga normal é aplicada por colocação de pesos e pode ser variada num amplo intervalo. A velocidade do veio móvel pode ser variada de forma contínua.

No presente estudo foram utilizadas esferas de aço com raio 5 mm, próximo dos valores da curvatura dos molares, cuja superfície foi modificada por acção química de forma a conferir-lhes uma rugosidade adequada que proporciona elevada repetibilidade de resultados. Os ensaios foram realizados com força normal constante de 0,5 N e com velocidade de rotação da esfera de 100 rpm, a que corresponde uma velocidade linear de 0,052 m/s, a duração dos ensaios foi de 50, 100, 200 e 300 rotações. Para cada condição de ensaio foram realizados dois testes, de cujos resultados foi considerado o valor médio. Como abrasivo usaram-se microesferas de vidro com granulometria entre 0,3 e 12 mm. O abrasivo foi utilizado em solução aquosa na proporção de 0,35 g de microesferas por ml de água destilada. A figura 1 ilustra a montagem utilizada para a técnica de ball-cratering.


Figura 1 - Ilustração da montagem utilizada para a técnica de ball-cratering.

Para o primeiro conjunto de ensaios, consideraram-se os dois materiais e sempre a mesma intensidade luminosa. Fez-se, então a comparação a nível dos valores de dureza e resistência à abrasão.

Para os materiais em estudo, e tendo em conta os três diferentes tempos de cura, os valores de dureza foram sempre superiores para as maiores intensidades luminosas. Tanto o Surefil como o QuiXfil, no que diz respeito à dureza, e considerando cada um dos três tempos de cura, mostram maior dureza para tempos de cura maiores, figura 2. Acerca destes resultados pode concluir-se que os valores de dureza para o QuiXfil foram sempre maiores, qualquer que fosse o tempo de cura considerado.

No que respeita a abrasão os dois materiais possuem comportamento destinto. Assim, o Surefil apresenta um valor elevado do factor de desgaste para o tempo de cura de 20 segundo, decrescendo até aos 60 segundos. O compósito QuiXfil apresenta um valor muito reduzido para os 20 s e mais elevados, que o Surefil, para os tempos de cura de 40 e 60 segundos, figura 3.

Figura 2 - Evolução da dureza em função
do tempo de cura, para os dois materiais
em estudo.
Figura 3 - Evolução do factor de desgaste
em função do tempo
de cura, para os
dois materiais em estudo.

No segundo conjunto de ensaios, considerou-se apenas um dos materiais, o QuiXfil. Foi avaliado o efeito da intensidade luminosa na dureza e na resistência à abrasão. As técnicas de avaliação de dureza e de resistência à abrasão são iguais às usadas nos testes anteriores.

De forma a efectuar o estudo relativo à intensidade luminosa foi também usado o fotopolimerizador Dentsply Spectrum 800 que permitia a regulação de intensidade luminosa. No caso presente usaram-se três níveis de intensidade, 300, 500 e 1100 mw/cm2.

Para a intensidade de 300 mw/cm2, os valores de dureza de 20 e 40 segundos de tempo de cura, são muito idênticos, sendo o valor de 60 segundos mais elevado. Os provetes curados com intensidade de 500 mw/cm2, apresentaram um valor mais baixo para 20 segundos, sendo que os valores de dureza para 40 e 60 segundos são muito semelhantes. Para os provetes curados com a intensidade luminosa mais elevada os valores de dureza são sempre crescentes para tempos de mais elevados, figura 4.

Relativamente à resistência à abrasão não ocorre uma tendência clara válida para todas as intensidades estudadas. No que diz respeito à intensidade de 300 mw/cm2, o factor de desgaste é maior para tempos de cura mais elevados. Isto significa, que, para tempos de cura superiores a resistência à abrasão é menor. Para a intensidade luminosa de 500 mw/cm2, o valor mais baixo de factor de desgaste é para o tempo de cura de 40 segundos, seguido dos tempos de cura de 20 e 60 segundos. Para a intensidade mais elevada, o tempo de cura que proporciona melhor resistência à abrasão é o de 20 segundo seguido do de 60 e 40 segundos. É de registar que o tempo de cura de 20 segundos e intensidade luminosa de 1100 mw/cm2 apresentou o valor mais alto de resistência à abrasão, figura 5.  

Figura 4 - Evolução da dureza do QuiXfil com
o tempo de cura e para várias intensidades.

Figura 5 - Evolução do factor de desgaste do compósito QuiXfil com o tempo de cura
e para várias intensidades.

Conclusões

No que respeita ao primeiro conjunto de ensaios, relativos à comparação da influência da intensidade luminosa na dureza e resistência à abrasão, dos compósitos Surefil e QuiXfil, pode concluir-se que:

  • o compósito QuiXfil, para qualquer dos tempos de cura considerados, apresenta, sempre, valores mais altos de dureza;

  • na resistência à abrasão o QuiXfil apresenta o valor mais baixo de factor de desgaste, para 20 segundos. Para os valores de 40 e 60 segundos a resistência à abrasão é menor do que a registada pelo Surefil.

No que diz respeito à influência da intensidade luminosa na dureza e resistência à abrasão do compósito QuiXfil, pode concluir-se:

  • para qualquer dos tempos de cura, o valor de dureza é sempre maior para intensidades mais elevadas;

Relativamente à influência da intensidade luminosa na resistência à abrasão pode concluir-se que:

  • o material comporta-se de modo distinto, para a mesma intensidade de cura, e para tempos crescente

  •  o valor mais reduzido de desgaste foi obtido para a maior intensidade luminosa, 1100 mw/cm2, e para o menor tempo de cura.

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