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Septiembre 2003


 

 



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Caso Clínico de encerramento de diastemas superiores com recurso a um enceramento de prognóstico

Otilia Lopes, Aluna do 5º ano da licenciatura da Facultade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP)
Mário Jorge Silva,
Professor Catedrático de Medicina Dentária Conservadora da da FMDUP


O desejo que manifestam algumas pessoas em proceder ao encerramento dos seus diastemas interincisivos é, muitas vezes, contrariado pelo receio de poderem não vir a gostar do seu novo visual. Sendo certo que os procedimentos cosméticos com resinas compostas são facilmente elimináveis, podendo recuperar-se a imagem inicial, a verdade é que o planeamento, o tempo necessário à sua execução e o custo dos materiais são muito importantes, podendo assim tornar desnecessariamente cara uma tentativa sem sucesso.

Para além destes aspectos, já de si importantes, o médico dentista tem, por vezes, alguma dificuldade em antever o resultado final do seu próprio trabalho e de o transmitir ao paciente. Assim, numa tentativa de dar resposta a estas duas limitações, o estudo através de um enceramento de “prognóstico”, dá ao paciente uma imagem sugestiva do aspecto final resultante do encerramento dos seus diastemas e, ao mesmo tempo, permite ao profissional ensaiar esses mesmos artifícios num modelo de trabalho (por exemplo, alargando mais ou menos os incisivos centrais, preenchendo mais ou menos determinadas áreas vestibulares, etc.). De realçar que, no final, o mais importante é reproduzir no sorriso do paciente as expectativas entretanto geradas pela visualização do seu modelo artificial!

Para ilustrar uma das técnicas ensinadas na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP) apresentamos este caso clínico, realizado pela aluna sob a orientação do Professor Regente de dentisteria Operatória:

Caso clínico

MSAS de 25 anos e sexo feminino. Apresntava diastemas entre os incisivos. Na sua opinião, os diastemas superiores eram inestéticos (foto nº 1). Procurou-nos para resolver este problema, manifestando, porém, alguma ansiedade quanto ao resultado estético final. Foi-lhe sugerida uma consulta de Ortodontia mas, por razões pessoais, não quis submeter-se a uma correcção ortodôntica.

Foto 1

Entendemos por isso efectuar impressões preliminares das duas arcadas, que foram posteriormente vazadas com gesso e que serviram de modelos de estudo e de trabalho (foto nº 2). No modelo superior procedeu-se ao enceramento dos 6 dentes anteriores (do 13 ao 23), ensaiando diferentes modelagens até concluirmos que tínhamos obtido um bom resultado estético (foto nº 3). Sobre este enceramento realizámos uma nova impressão que foi reposta num segundo modelo; foi este que apresentamos à paciente para apreciação e aprovação. De facto, não mostrámos o modelo encerado porque a cor da cera confunde a análise por parte dos pacientes (foto nº 4).

Aceite a proposta pela paciente, este segundo modelo foi recoberto com um silicone que foi cortado com um bisturi em duas partes ao nível dos bordos incisais dos incisivos e do vértice das cúspides dos caninos; a porção vestibular foi desprezada, passando a porção palatina a funcionar como “guia” para a realização do trabalho (foto nº 5).

Foto 2 Foto 3
Foto 4 Foto 5

Procedemos então a um polimento prévio dos dentes envolvidos, com uma escova e pasta profilática sem flúor, à selecção da cor (cor única, A2 do mostruário do Esthet-X (Dentsply-DeTrey) e ao isolamento do campo operatório com rolos de algodão e aspiração de alto débito (cientes de que a maioria dos médicos dentistas utilizam o isolamento relativo do campo operatório, a aposta da Disciplina de Dentisteria Operatória da Faculdade de Medicina Dentária do Porto é ensinar a fazer isolamentos relativos de elevada qualidade em detrimento de isolamentos absolutos que, não obstante a sua qualidade indiscutível, são realizados por um número muito reduzido de profissionais).

O condicionamento do esmalte pelo ácido ortofosfórico foi efectuado simultaneamente em dois dentes contíguos (por exemplo, superfícies mesiais do 11 e do 21) (foto nº 6) e todo o procedimento clínico foi realizado respeitando sempre essa sequência. Depois de as lavar e secar, as superfícies foram devidamente preparadas com um sistema adesivo fotopolimerizável (Prime & Bond NT), de acordo com as instruções do fabricante (foto nº 7).

Seguidamente foi aplicada a guia palatina em silicone, protegidas as papilas com cunhas de madeira (foto nº 8) e aplicada e fotopolimerizada pela técnica estratificada uma resina composta híbrida no ecrã posterior de cada superfície - Spectrum, cor A2 - (foto nº 9). Para tal, respeitou-se, tanto quanto possível, a forma atómica previamente definida.

Foto 6 Foto 7
Foto 8 Foto 9

A última camada aplicada por vestibular foi de uma resina composta microhíbrida, (Esthet-X), da mesma cor A2 (foto nº 10). Após a sua polimerização, a guia de silicone foi removida definitivamente.

Efectuados os acertos oclusais (foto nº 11), as superfícies foram submetidas a acabamento e polimento, neste caso com taças de borracha (Enhance Dentsply DeTrey) (fotos nºs 12 e 13).  

Foto 10 Foto 11
Foto 12 Foto 13

O resultado estético final pode ser observado na foto nº 14, bem como podem ser comparados os sorrisos antes e depois do tratamento (Fotos nºs 1 e 14).  


Foto 14

Conclusão:

O resultado estético correspondeu muito às expectativas da paciente, demonstrando que a dentisteria cosmética pode desempenhar um papel importante em muitos casos de encerramento de diastemas, com todas as vantagens e inconvenientes que lhe são inerentes e que devem ser objecto de informação prévia aos pacientes.

É grande a utilidade da guia de silicone após o enceramento de prognóstico, porque não só facilita uma pré-visualização das expectativas estéticas como também facilita a execução do trabalho. Como inconvenientes mais importantes desta técnica, apontamos os custos acrescidos inerentes ao enceramento e ao maior tempo de trabalho para a sua realização.

Agradecimentos:

Agradecemos a colaboração prestimosa do Protésico Dentário Sr. Fernando Faria e do Engº Pedro Malojo, ambos colaboradores permanentes da FMDUP.

Referências Bibliográficas:

Esthetic Dentistry: a clinical approach to techniques and materials. Kenneth W. Aschheim and Barry G. Dale Ed. Mosby Inc. St. Louis, Missouri, 2001.

A Estética Natural. Dario Adolfi. Livraria Santos Editora, 2002.

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