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Enero 2003


 

 



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Dentsply


Esthet-X

Prime & Bond NT

Reconstrução estética de dentes anteriores com Esthet-x

Paulo Melo, Assistente Convidado da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto
Joana Domingues, colaboradora Voluntária da disciplina de Dentisteria operatória da FMDUP
Liliana Teixeira, colaboradora Voluntária da disciplina de Dentisteria operatória da FMDUP


As fracturas coronárias de dentes anteriores por traumatismo representam uma percentagem significativa das necessidades de restauração estética nos jovens. A resolução de alguns destes casos passa obrigatoriamente pela realização de facetas ou coroas totais. Todavia a optimização das características físicas e mecânicas das resinas compostas tem permitido a realização de restaurações de fracturas coronárias de dentes anteriores, mais ou menos extensas, fiáveis e de bom efeito estético. A alteração da quantidade, do tamanho e forma das partículas consoante o grupo dentário e o tipo de restauração a que se destina, obrigou ao aparecimento de diferentes tipos de compósitos. Desta forma a Dentsply desenvolveu um compósito microhíbrido – Esthet-X – indicado para a restauração de dentes anteriores, com especial preocupação na mimetização da cor dos dentes por camadas, disponibilizando uma gama variada de tons e opacidades. Simultaneamente, este material apresenta características físicas que conferem resistência suficiente nas grandes recontruções de dentes anteriores.

A propósito de um caso clínico os autores descrevem e ilustram uma das formas de optimização das características do Esthet-X.

Caso clínico:

Uma jovem de 16 anos, recorreu à consulta de Dentisteria Operatória da FMDUP para a observação e resolução clínica de uma fractura de cerca de metade da coroa do 4.1.

A observação clínica permitiu confirmar a sensibilidade a estímulos térmicos de frio, que a paciente referia, mas não a estímulos de calor. Não existia exposição pulpar e o Rx periapical não apresentava qualquer alteração que levasse a suspeitar de alguma lesão irreversível da polpa.

Uma vez que a jovem não conseguiu recuperar a porção coronária fracturada e não possuía condições económicas para a realização de uma faceta cerâmica, optou-se pela restauração com compósito, utilizando para o efeito o Esthet-X.

Como se tratava de uma grande reconstrução de um dente anterior, uma das técnicas aconselhadas consiste na utilização de coroas de acetato e polimerização em bloco da restauração.

Já nesta fase foi necessário colocar duas cunhas de madeira de forma a que os espaços fossem suficientemente amplos para que a coroa de acetato envolvesse toda a coroa do dente (fig 1). Este caso foi todo executado com isolamento parcial do campo operatório utilizando rolos de algodão.

Assim, procedeu-se à escolha da coroa mais adequada e adaptou-se a mesma à estrutura dentária remanescente (fig 2). Depois de adaptada, a coroa foi perfurada em vários pontos do bordo incisal para que o compósito em excesso colocado na coroa pudesse extravazar, evitando a formação de bolhas (fig 3).

A determinação da cor foi efectuada com o auxilio da escala de cores que o estojo do Esthet-X disponibiliza, tendo-se optado pela cor A1.

Em toda a periferia do preparo da superfície dentária realizou-se um bisel no esmalte com broca adiamantada de grão médio, em turbina de alta rotação (fig 4). Este procedimento teve como o objectivo o aumento da área de adesão e a criação de uma zona de transição gradual entre o material restaurador e o dente.

Fig 1. Fractura do 4.1 Fig 2. Adaptação da coroa de acetato
Fig 3. Perfuração da coroa de acetato Fig 4. Esmalte com bisel

Depois do dente preparado, procedeu-se ao acondicionamento da superfície dentária preparada com ácido ortofosfórico a 36% da Dentsply durante 15 segundos na dentina e 30 segundos no esmalte, tendo posteriormente sido removido com água.

Procurando manter uma certa humidade, foi aplicado o sistema adesivo Prime & Bond NT da Dentsply em duas camadas sucessivas com 20 segundos de fotopolimerização para cada camada, de forma a obter uma superfície dentária com aspecto vidrado uniforme.

A primeira camada de compósito, de cor A2-O, foi colocada sobre a dentina, numa pequena espessura e polimerizada, com o objectivo de garantir que a adesão fosse uniforme e efectiva, sem risco de se formarem bolhas (fig 5).

Seguidamente no interior da coroa de acetato, na zona correspondente ao bordo incisal, foi colocada uma pequena quantidade de compósito da cor CE, a toda a volta da coroa foi colocada uma espessura equivalente à do esmalte da cor A1, e o resto do núcleo da coroa foi preenchido com compósito da cor A2-O.

A coroa foi então adaptada à estrutura dentária remanescente. Como a espessura de compósito não ultrapassa os 7 milimetros e se considera que até 3,5 milimetros a polimerização é eficaz, o compósito foi polimerizado em bloco durante 60 segundos por vestibular e 60 segundos por palatino (fig 6).

Depois de retirada a coroa de acetato, procedeu-se ao acabamento e caracterização, executados com broca laminada de 12 folhas montada em turbina de alta rotação e discos de lixa (fig 7). Para polimento utilizou-se o sistema Enhance Dentsply Detrey em conjunto com pasta de polimento Prisma Gloss (fina e extrafina) da Dentsply Detrey.

Apesar de parecer extremamente simples, a execução da técnica descrita envolve alguns riscos. O preenchimento da coroa deverá ser efectuado de forma a que não haja possibilidade de formação de bolhas, não devendo ser esquecida a perfuração do bordo incisal. É fundamental a correcta determinação da cor à partida, pois esta técnica não permite grandes alterações posteriormente. Também não deverá ser valorizada a cor que se observa antes da polimerização porque a coroa de acetato interfere na mesma, pelo que só após a sua remoção é que se poderá verificar se a escolha foi a mais adequada.

Dadas as características desta resina micro-hibrida também o polimento se tornou de fácil execução, permitindo uma vez mais obter um resultado estético muito agradável (fig. 8).

Fig 5. Pequena camada de Esthet-X cor A2-O na dentina Fig 6. Coroa a envolver o compósito já polimerizado
Fig 7. Restauraçao após remoçao da coroa de acetato e acabamento e caracterizaçao Fig 8. Resultado final

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