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Enero 2000


 

 



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A propósito de una nova resina composta

João Carlos Ramos, Alexandra Vinagre, Pedro Nicolau - Licenciatura em Medicina Dentária, Faculdade de Medicina de Coimbra, Portugal
João Paulo
- Instituto Pedro Nunes, Coimbra, Portugal


A evolução constante verificada nas técnicas e nos materiais restauradores tem permitido progressos impressionantes ao nivel das reabilitações orais. Actualmente é possível conseguir de uma forma bastante consistente restaurações estéticas capazes de simular os dentes naturais, sem comprometer desnecessariamente a resistência e a função. No entanto, ainda recentemente a maioria dos clínicos considerava as restaurações em resina composta como meras substituições semelhantes às estruturas dentarias. Assim, o tipo mais frequente de restauração em resina composta consistía num "bloco" de resina apenas com a cor aproximada à do dente em causa, sem a devida consideração pela forma, pela translúcidez, pela textura e pela variação e estratificação da cor. Por conseguinte, muitos dos fabricantes disponibilizavam os seus materiais apenas com as cores mais frequentes sem, ou com poucas, alternativas de cores mais opacas (dentina) ou translúcidas (esmalte e incisal).

Talvez seja importante focar de uma forma resumida um pouco da evolução das restaurações estéticas directas, em particular das resinas compostas, para que possamos compreender qual o papel que a sua diversidade pode desempenhar no contexto actual da dentisteria estética. Antecedendo as resinas, os cimentos de silicato foram extensivamente usados até ao início dos anos 60. Embora a estética proporcionada por estes materiais fosse inicialmente aceitável (para a época), a sua longevidade deixava muito a desejar. As primeiras resinas sem qualquer conteúdo inorgânico nao vieram melhorar muito o panorama, dado que, entre outros problemas, sofriam alterações de cor com relativo facilidade. As primeiras resinas compostas (desenvolvidas ainda na década de 60), com um conteúdo inorgânico de macroparticulas, possuíam ainda vários inconvenientes como a rugosidade da superficie, a alteração de cor e desgaste. No final da década de 70 e princípios de 80 surgiram as primeiras resinas compostas híbridas com uma boa estabilidade de cor, uma aceitável resistência ao desgaste e capazes de proporcionar uma superficie razoavelmente polida. Ainda na década de 70 surgiram as primeiras resinas compostas microparticuladas. No entanto, foi em plena década de 80 que se verificou o aparecimento de resinas compostas microparticuladas e híbridas (microhíbridas, com um tamanho médio das partículas inferior a 1 um) com capacidade para produzir restaurações estéticas anteriores (e algumas posteriores) com um prognóstico favorável a médio prazo (desde que bem executadas e acabadas). Portanto, estava criado o potencial para produzir restaurações estéticas com um grau de aperfeiçõamento bastante bom no que diz respeito à cor, à translúcidez e ao polimento (na fig. 1 e 2 é possível observar uma restauração efectuda com um núcleo de resina composta microhíbrida e uma camada superficial de resina composta microparticulada).

No entanto, este estado da arte foi subaproveitado pelos profissionais que, de um modo geral, executavam restaurações apenas com as resinas híbridas ou microhíbridas, monocromáticas, sem variações de translúcidez e com formas e acabamentos estereotipados. ... importante salientar que este tipo de restaurações pode funcionar perfectamente no caso cavidades pequenas ou com uma área de superficie visível reduzida. 0 mesmo nao acontece nas situações em que é necessário restaurar porções maiores de estrutura dentária em zonas de elevada visibilidade. Nestas situaçõs devemos usar a técnica da estratificação (à muito usada pelos ceramistas para restaurações indirectas), conjugando resinas compostas microhíbridas e microparticuladas, com diversas cores e graus de translúcidez. Desta forma é possível criar variações de cor e de transparencias, bem como formas e texturas de superfície individualizadas.

Já em plena década de 90 foram introduzidos novos materiais, quer para restaurações directas quer para indirectas. Surgiram os denominados "compómeros" que representam resinas compostas com alguns componentes e características do cimentos de ionómero de vidro (fig. 3 e 4 restaurações de classe V efectuadas com Dyract AP).

Surgiram também os "cerómeros", resinas compostas vocacionadas essencial, embora nao exclusivamente, para restaurações posteriores directas e indirectas. Foram igualmente introduzidas resinas compostas fluidas, que devido essencialmente ao seu módulo de elasticidade e ergonomia, apresentam um leque de utilizações cada vez mais diversificado, como pequenas restaurações oclusais posteriores, bases de cavidade, lesoes de classe V por abfracção, colagem de fragmentos e férulas periodontais em fibra de vidro ou polietileno, entre outras. (fig. 5 e 6 - várias lesoes de abfracção restauradas com Dyract Flow A3).

Surgiram também resinas compostas apelidadas de "condensáveis" cujas as características (muito variáveis de acordo com os materiais) de manipulação, contracção de polimerização, resistência à fractura, ao desgaste e o leque reduzido de cores as posiciona no mercado de restaurações posteriores de média e grande dimensao, como alternativa e nao substituto da amálgama (fig.7, 8, e 9).

3 restaurações a amálgama substituidas por SureFil Controlo clínico das restaurações após 1 ano.

Relativamente à denominação de condensáveis é importante referir que nao nos parece correcto, devendo o termo ser apenas usado como adjectivo de comparação (com as resinas microhíbridas tradicionais ou com a amálgama) quando se fala das propriedades destes materiais e nao usado genericamente como seu apelido. Falando das suas propriedades, e no que respeita ao uso ostensivo destes materiais nos dentes posteriores preconiza-se cada vez mais o seu uso conjugado com as resinas fluidas.

Com a cascata de materiais lançados no decorrer desta década é fácil de constatar que existe algum abuso, anarquia e falta de rigor na taxonomia utilizada. Pelo facto urge que se elaborem correctamente glossários de termos médicodentários e utilizem nomenclaturas científicamente suportados.


Fig 10-11: 3 restaurações efectuados com Prisma TPH Spectrum
cli140211.jpg (12174 bytes)

Controlo clínico das restaurações em
TPH Spectrum após 3 anos

Arcada com as 3 restaurações em SureFil após 1 año (setas verdes) e com TPH Spectrum após 3 anos (setas amarelas)

Finalmente, vamos falar de uma nova resina composta universal, Esthet-X (Denstply Caulk) que tivemos a oportunidade de experimentar clinicamente e estudar laboratorialmente.

Esthet-X

Trata-se de uma resina composta com inovações quer ao nível da matriz de resina quer ao nível do conteúdo inorgánico. Supostamente a conjugação destas duas vertentes remodeladas permite a obtenção de uma resina composta com uma boa resistência à fractura e ao desgaste, um bom acabamento superficial e uma boa manipulação, conferindo a este novo material um caracter de utilização universal. Teoricamente, pensamos que o desenvolvimento deste produto se pauta pelo objectivo de reunir num só material as propriedades favoráveis das resinas compostas microparticuladas (como o acabamento da superficie e a resistência ao desgaste) com as das resinas microhíbridas (como a resistência á fractura e a facilidade de manipulação). A nossa curta experiencia clínica e a avaliação laboratorial que efectuamos parecem suportar características como a facilidade de manipulação e o superior acabamento, indiciando também uma boa resistência ao desgaste, como veremos adiante. No entanto, outras propriedades importantes, como resistência à fractura, o módulo de elasticidade e a contracção de polimerização, deverao ser tidas em conta antes de se elaborar o verdadeiro perfil deste material.

Clínicamente, o material é de fácil manipulação e moldagem, apresentando-se com uma vasta gama de cores de opacidade média, de maior opacidade (dentina) e de maior translúcidez. A conjugação das diversas cores com os 3 níveis de opacidade confere-lhe um elevado potencial para a execução de grandes restaurações pela técnica da estratificação.

Alguns casos clínicos que tivemos a oportunidade de efectuar com o Esthet-X (fig. 14 a 24).

cli140214.jpg (12301 bytes)

O trabalho de investigação laboratorial que efectuamos teve como obectivo avaliar in vitro o nível de acabamento conseguido com este material comparando-o com outras resinas compostas. Um bom acabamento e polimento da superficie das resinas compostas nao só melhora a estética como aumenta a longevidade da restauração devido à sua íntima relação com outros parâmetros como a retenção de placa bacteriana, a pigmentação superficial e a resistencia ao desgaste. As amostras dos materiais foram polidas com sistema de acabamento e polimento Enhance e a rugosidade médía (Ra) avaliada num rugosimetro a laser. Paralelamente as superficies foram observadas por microscopia eletrónica de varrimento. Na tabela 1 e no gráfico 1 é possível verificar os resultados obtidos ao nível da rugosidade média e as respectivas comparações as outras resinas compostas.

Resultado
(µm±S.D.)
Material
Esthet-X TPH SureFil
Ra 0,27±0.04 0,38±0.08 0,40±0.08

 

Nos figuras 25, 26 e 27 podem-se observar as diferencias no tamanho e distribuição do conteúdo inorgánico de cada uma das resinas compostas. É possível verificar no Esthet-X o menor diâmetro das partículas bem como uma distribuição mais homogénea relativamente ao Prisma TPH Spectrum e ao SureFil o que lhe confere à partida vantagens sob o ponto de vista de acabamento e resistência ao desgaste.

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